Ernane, esse aqui seria um resumo de sua vida?

Isso era pra ser sério ou é zombaria?
Responder às perguntas condernar-me-á, talvez até mais do que as associações injustas ao nazismo o fazem.
É também injusto de sua sua parte colocar o contexto de minha conversão nesse painel caricaturato. Aos 17 anos eu já tinha lido praticamente as obras completas de Richard Dawkins. Meu retorno à fé cristã começou a dar-se exatamente no período após a leitura de
The God Delusion. Se Richard Dawkins conseguiu conquistar adeptos ao ateísmo, o livro teve o efeito contrário em mim. Nessa época eu já estudava filosofia da religião com relativa profundade. Sou um cientista em formação (graduando em Farmácia), e eu trabalho com ciência. Evolução é fato e teoria. O
fato da evolução apreende-se de inúmeras evidências experimentais: o fato é evidente
per se, e incontestável por definição. A
teoria da evolução é uma interpretração das evidências: é apenas uma teoria da mesma forma que a Teoria do
Quantum é apenas uma teoria, ou que a Teoria da Relatividade Especial ou Geral também é apenas uma teoria. Todo o arcabouço teórico da Biologia, como dizia T. Dobzhansky, é ininteligível exceto à luz evolutiva. Se gostar de ver criacionista apanhar, basta colocar-me para debater com um.
O cristianismo em nenhum momento é incompatível com a Teoria da Evolução. O Gênesis não é um tratado de cosmologia, sim um mito-poético judaico que conserva a fé em que o Cosmos proveio de Deus. A forma como a criação deu-se só pode ser conhecida pela ciência, e não está ao alcance epistemológico desta demonstrar que houve ou não criação
ex nihilo. Dessa forma, sob nenhuma circunstância o
fato da evolução implica a inexistência divina, tampouco atesta sua realidade primeira. O argumento principal de Richard Dawkins em
The God Delusion é não apenas incoerente epistemologicamente: é uma falácia
non sequitur.
Reconheci Deus à luz da metafísica, portanto à luz da razão. A fé é apenas um dos caminhos para Deus: a herança helênica da
ratio sempre esteve enraizada no cerne da Igreja. Toda a tradição filosófico-teológica católica é fundada na mais acirrada tradição de
disputatio theologica, por conseguinte baseada na arte mais estrita da ciência argumentativa. A universidade é uma criação da Igreja. Você não conseguiria obter um diploma se não conseguisse sair das encruzilhadas repletas de armadilhas lógicas colocadas pelos doutores da Igreja. Os medievais certamente morreriam de rir da produção em série de falácias do Fórum Realidade. A historiografia contemporânea já rejeitou de modo peremptório a abordagem iluminista da Idade das Trevas: mais do que uma Idade das Luzes, a tradição científica inaugurada pela Igreja foi a condição necessária para nascimento da ciência moderna.
Fé não é "crença desprovida de evidência", um conceito inventado fruto da ignorância imaginativa dos céticos e ateus modernos cujo conhecimento sobre 2.000 anos de tradição cristã é enciclopédico. Fé é
confiança, e esta só nasce após íntimo contato com a intervenção divina presenciada e verificada por testemunhas confiáveis: há, portanto, evidências. Os milagres de Nosso Senhor Jesus Cristo, bem sua Ressurreição foram atestados por dezenas de testemunhas oculares: a Revelação é factual. Até hoje só pude verificar que toda a espécie de suspicácia moderna acerca dos fatos da Revelação exige mais fé do que a simples aceitação do que nos foi legado pelos Evangelhos.
Após concluir que Deus é real, e compreender o caráter confiável dos testemunhos dos Evangelhos, comecei a observar que Deus é de fato pessoal: Ele intervém na vida daqueles que, através da contemplação, recorrem ao Senhor. Neste âmbito pessoal a razão é limitada: não temos como demonstrar a outrem que nossa crença na atividade divina no mundo é verdadeira. Temos uma certeza íntima de que em um determinado evento houve ação de Deus, mas é impossível prová-lo. Sou um crente na medida em que tenho tal convicção, mas o meu despertar à fé foi única e exclusivamente racional: caminhei no sentido do conhecimento à fé, e não o contrário.
Hoje faço apologética. Ao compreender quão sagrados são os pilares da civilização ocidental erigidos e construídos pela Igreja, e que todo movimento histórico que propôs-se a derrubá-los culminou na barbárie mais encarniçada e demoníaca, acredito que agora ajo de acordo com as prescrições do Criador-Onipotente. Lutando contra o marxismo, estou realizando a obra de Deus.
Abraços.